
Boa pergunta. (foto: futebolbahiano.com)
BAHIA 0x0 CORITIBA
11ª rodada Brasileirão
O Bahia quase todo jogou mal. Tirando Titi e suas eficientes antecipações, e Marcelo Lomba, que foi seguro quando exigido, o time apresentou desempenhos individuais pífios. E quando um time vai individualmente mal, não dá pra botar a culpa no técnico né? Dá sim. Pra mim, René Simões tem muita responsabilidade na ausência de mais um triunfo do Bahia.
Mesmo desfalcado do cada vez mais importante Diones, eu acreditava que o querido bigode ia manter a coerência e sustentar sua equipe no esquema com três volantes, deixando Carlos Alberto mais solto, os laterais mais soltos e o time dentro do padrão que conquistou os únicos dois triunfos tricolores no certame. Mas ele cedeu às suas inseguranças, às pressões da torcida e de setores da imprensa por um time "mais ofensivo", e, na ausência de Diones, resolveu atacar no improviso, "nas coxa". Colocou o atacante Lulinha como meia (de novo) e o atacante Gabriel na lateral direita ( de novo). Forçou na formação que deixou o time tão exposto nas primeiras rodadas do campeonato (de novo). Deu ré (lá ele) no seu conceito comigo. Faltou firmeza nas convicções pra apostar em um time mais "denso" no meio campo, pra combater o também muito "denso" meio campo Coxa Branca (que, diga-se de passagem, fez uma boa partida em Salvador.)
O que se viu do esquema ofensivo do início foi aquele fogo de isqueiro, na empolgação da torcida, no "vamo que vamo minha zorra". O time até chegou, apertou, pegou os primeiros rebotes...Até o inteligente técnico do Coritiba, Marcelo Oliveira, perceber que o meio de campo do Bahia era frágil na recomposiçao e resolver adiantar a marcação do seu time. Pronto, a partir daí, o que se viu foi o Bahia "ofensivo" fazendo ligação direta, logo a partir do tiro de meta de Lomba ou dos lançamentos de Marcone. Como Júnior continou apático, essa ligação direta não tinha ninguém pra combater a bola no alto pelo lado tricolor. O Coritiba ganhava todas e armava, de novo, o contra-ataque, pegando Marcone, Fahel e os dois zagueiros de frente, expostos. Se o Coritiba fosse mais incisivo e Bill fosse melhorzinho, o Bahia terminaria o primeiro tempo perdendo.
"Ah, mas Fahel perdeu um gol feito, da entrada da pequena área." Sim, fruto de um bate rebate, depois de bola alçada na área que voltou para os pés dele. O Bahia continua sem criar efetivamente, principalmente no conjunto. O time é individualista, não acerta uma tabela, uma jogada de ultrapassagem sequer é bem feita.
Eu já achava que o Bahia estava sem um conjunto harmônico no campo, pela falta de oportunidades criadas, aí eu li durante a semana que René não gosta de dar coletivos, porque o campo do Fazendão está ruim, duro, e isso desgasta os jogadores.
Ora, se o campo do Fazendão está ruim, vai treinar no campo do SESI, do SEBRAE, da ONU, da NASA, que seja!! O estádio Armando Oliveira é logo ali do lado, em Camaçari. Tem também o belo campo da Vila Militar em Salvador (ESAEX), se quiser arriscar pegar trânsito. Mas não treinar coletivo é complicado né?
E sem essa de desgaste. O que desgasta jogador é correr, se esforçar e não vencer, é ficar ouvindo vaia dentro de casa, é ouvir o técnico ser "demitido" pela própria torcida, é ver o companheiro não lhe passar a bola e preferir um drible. Isso é que desgasta.
Segundo tempo, o Bahia errou um passe com menos de 20 segundos de jogo e mostrou que continuava tudo igual. O Coritiba respeitou por 5 minutos, depois adiantou de novo a marcação e encaixotou o tricolor, sendo muito mais perigoso, tendo mais a bola, se impondo. Nem a expulsão de Leandro Donizete mudou muito o quadro. René ainda tentou ajustar o time, com uma formação perto da que eu considerava ideal de início, com Fabinho no lugar de Lulinha. Também trocou o apagadíssimo Júnior por Reinaldo, mas também não funcionou, pois o novo atacante só parecia ver Jóbson em campo, além de sair muito da área também, tal qual o "Anjo Loiro".
No final, ao botar na balança os rendimentos de ambos os times, principalmente o fraquíssimo rendimento do Bahia, penso que podemos botar a responsa de dois pontos perdidos na conta de René. E o milagre do ponto somado na conta de Nossa Senhora Tricolina. (tive certeza que ela passeou pelo Pituaçø ontem logo depois da bola de Léo Gago na trave, no final do jogo.)
Observações:
Gabriel não é lateral. Se tem Marcos ( e Gabriel mais uma vez não foi tão melhor que Marcos assim) porque improvisar? A soma de um time com dois meias e um atacante na lateral direita, pra mim, foi desastrosa de novo.
Aliás, não defendo Marcos tanto quanto parece, só sou contra improvisações desnecessárias. Além de que Gabriel poderia ser útil no segundo tempo, até mesmo no lugar de Jóbson, (desse, falo já já).
Marcone acertou um lançamento no início do jogo, depois errou tudo! Partida muito ruim dele. Fabinho entrou e mostrou que tem cancha pra ser titular, apesar de ensaiar uns erros no início de sua participação. Fahel segue marcando bem atrás. É tão ligado em evitar gols que anda fazendo isso também no ataque. Perdeu mais dois ontem, ambos na pequena área.
Carlos Alberto.... não sei. Ele sabe jogar, jogar muito, mas não fez nada que chamasse a atenção ontem.
Júnior realmente parece que pegou a doença de Souza. As poucas bolas que chegaram até ele não foram aproveitadas. Sua força física parece ter sumido. E Reinaldo não agradou ainda.
Jóbson continua sassaricando e nada. Chutou duas bolas no gol: uma, Júnior, companheiro de ataque, impediu que ela chegasse às redes. Na outra, Edson Bastos rebateu. Jóbson tem feito pouco. Não sei se é o esquema, se falta alguém do lado ou se é individualismo nato.

O mais "agressivo" dos atacantes tricolores está cada vez mais inofensivo. (foto: Atarde.com)
Avine desligou o juízo depois da contusão. Voltou a correr mais que a bola, a errar cruzamentos e a vacilar atrás. Só não posso afirmar que parece o Ávine de antigamente porque aquele ganhava muitos cartões bobos e não é o caso do atual Ávine, que é mais prudente. Mas a bola, tá sumida.
Ricardinho...pra mim o jogo dele é aquele, de segundo tempo. Mas chuta "meu fio".
O Bahia voltou a perder a confiança. A zona de rebaixamento está no "cangote", arfando. O aproveitamento de pontos é de time rebaixado. É hora de se mexer. E, com tantas opções no meio e as laterais com rendimentos horrorosos, começø a imaginar que um esquema 3-5-2 possa apresentar algo melhor pro Bahia. Independente do esquema, também vejo que René anda vacilando e, apesar de gostar muito dele, acho que ele deve ligar o "fique esperto". Até porque Dorival Júnior está balançando no Galo mineiro e é um técnico que pode mudar esse Bahia de hoje. A torcida ontem cantando "Adeus René" não ajuda. Ele perde credibilidade perante os jogadores e isso só piora as coisas. Com tudo isso, não tenho muitas expectativas para o jogo do Vasco. Talvez assim seja melhor.
Curiosidade:
Se podemos achar alguma coisa boa nesse jogo é o fato de que foi o primeiro que o Bahia não sofreu gols em casa.
Abraço.
Cássio meu querido,
ResponderExcluirMuito bom esse "raio x" do jogo feito por vc, apesar de não compartilhar com vc da formação em casa com três volantes, acredito também que o René formou o time de forma errada, porém não pelos dois volantes e dois meias, e sim pelas peças improvisadas, como vc mesmo disse no texto sobre o Gabriel, desnecessário improviso, e do Lulinha, comentário seu ontem no estádio, que não é meia e sim atacante. Se René tivesse entrado com essa formação, mas com Marcos na lateral e Ricardinho entrando de primeira acredito aí que poderíamos ter melhor sorte.
Acho que vc pegou um pouco no pé de Fahel, que fez a parte dele defensivamente e infelizmente não foi feliz nas finalizações, porém ele tem tentado fazer o que os atacantes, com exceção de Jobson, não estão fazendo. No mais concordo com vc e continuo acreditando nesse time que pra mim ainda vai encaixar, lá ele, e vai começar a vencer.
Bora pra cima do Vasco e começar essa virada...
Abração meu velho!
André (Littleway)