
Por Petter Silva
"Poderia falar do clássico em que o Vitória venceu de forma heróica com 9 jogadores em campo. Arturzinho e Zé Roberto foram heróis desse jogo histórico, considerado o jogo que elevou a moral do Vitória e começou a enterrar a mística do Bahia. Poderia falar daqueles 3 x 2 que Nadson marcou os três gols em 15 minutos virando uma partida no Barradão em que o Bahia ganhava por 2 x 0. Poderia citar até o jogo que Índio marcou 4 vezes e o Vitória ganhou por 6 x 5, sendo que o último gol, foi no último minuto e logo após do Vitória sofrer o empate. Mas meu jogo inesquecível no Campeonato Baiano de 1994, um BaVi que assisti na Fonte Nova, no meio da antiga torcida mista.
Tudo começou quando resolvi convidar um amigo torcedor do Bahia para ir na Fonte Nova, meu irmão pirou e falou que não tinha amigo tricolor, muito menos ficaria misturado com torcedores do outro time. Porém, o sangue fraternal falou mais alto e ele foi comigo para a famigerada torcida mista. Logo de cara encontramos um gordinho com uma camisa do São Paulo que gerou dúvidas. São Paulo é tricolor, logo o gordinho seria Bahia? Mas tem as cores preta e vermelha, seria portanto o gordinho um cara inteligente apesar da camisa do São Paulo? Esquecemos o gordinho e passamos a prestar atenção no jogo, que decidia um dos turnos do campeonato baiano e o Bahia jogava pelo empate. Tínhamos Alex Alves, Ramon, Vampeta, Dida e sufocávamos o adversário desde o primeiro minuto.

O gordinho não roía as unhas, ele comia os dedos. Seria nervoso pelo sufoco que o time dele tomava? Ou seria nervoso porque o gol não saia? Voltamos ao jogo e o primeiro tempo terminava 0 x 0. O segundo tempo não mudou muito o que acontecia no primeiro e o gol não saia, o Bahia estava prestes a se tornar campeão de um dos turnos, o que poderia adiar a decisão do campeonato. O Bahia tinha um atacante de um metro e meio chamado Naldinho, que não tinha juízo, mais corria muito.
Mas, para surpresa geral, o esquecido gordinho reapareceu com a seguinte frase em um dos contra ataques que Naldinho puxava: “Faz não, Naldinho, quero empatar”. A frase do gordinho era uma ironia, porque de tanto perder desde 89, o torcedor do Bahia queria passar a impressão que não precisava ganhar, bastava empatar para ser campeão.
E a cada contra ataque o gordinho repetia: “Faz não, Naldinho, quero empatar”. Meu irmão me olhava cada vez com mais raiva pela enrascada em que o coloquei. Só que aos 43 minutos do segundo tempo Renato Martins cruza da esquerda e Alex Alves, de chapa, coloca a bola entre Jean e a trave, Vitória 1 x 0 Bahia. Neste momento, caímos de tapa na cabeça e no pescoço do gordinho, ficou claro que com a camisa de outro clube só poderia ser torcedor do Bahia, pois o torcedor do Vitória tem orgulho em vestir o Manto Sagrado, não tem vergonha e não se esconde com camisa de outro clube. Alex Alves endiabrado partia pra cima do Bahia quando meu irmão gritou: “Faz não, Alex, quero ganhar só de 1 x 0”. O gordinho sumiu, nunca mais encontramos, mas nunca esquecemos aquela cara de sofrimento e vergonha. Ah! Meu amigo tricolor que foi o motivo de irmos a torcida mista? Não vi durante duas semanas, desde que Renato Martins cruzou aquela bola.
Por um Leão sempre Valente!"
Petter Souza e Silva é contador, Diretor da AVF, Conselheiro e Torcedor Apaixonado do Vitória.
Este aqui é o twitter dele: @Petter2504.
Ps: Percebo que, ao deixar uma "barbaridade" dessas ser publicada, estou me tornando um indivíduo mais evoluído ehehehe. Brincadeiras à parte, valeu pelo texto, Petter!

Mande seu jogo inesquecível pra cassiocmmelo@gmail.com e divida, você também, as suas emoções com a gente.
Abraço!!
A TORCIDA MISTA, PARECIA NA VERDADE UM QUEIJO QUENTE DE PADARIA... UMA FATIA DE QUEIJO, FININHA CORTADA A LASER, ENVOLTA POR DUAS FATIAS DE PÃO DE HAMBURGUER...
ResponderExcluir