
A seleção uruguaia pensa no futuro da nação (foto: fifa.com)
Há algum tempo eu lamentava uma iminente "hungriarização"* do Uruguai no futebol mundial. Afinal, aquele jogo que misturava técnica com garra, tão temido e vencedor no passado, tinha ficado por lá. Peñarol e Nacional, clubes vencedores na América e no Mundo, perderam força e respeito (inclusive, o Bahia chegou a ganhar do Nacional do Uruguai por 4x1, em Recife, pela Copa Renner de 97. Um Bahia que já estava iniciando sua decadência. Mesmo que fosse intertemporada, etc. 4x1 é f... ). Ídolos uruguaios em campo? Eu só lembrava de Francescoli e Rubem Sosa, que nem era esse craque todo...apenas se destacava em um deserto de talentos.
O Uruguai ficou fora das Copas de 94, 98 e 2006. Viu Paraguai, Colômbia e até o Equador participarem da festa, mas eles, os uruguaios, tão apaixonados por futebol, não. A participação na Copa de 2002 foi pífia. Empate 2x2 com a Dinamarca, empate 0x0 com a França e empate 3x3 com Senegal, eliminando-os de mãos dadas com os franceses. Toda a paixão uruguaia pela "pelota" estava reprimida, machucada, adormecida. Mas, acostumados a lutar pela vitória até o último minuto, com garra e determinação, os uruguaios começaram a virar o jogo.
E isso tem a ver com a chegada do técnico da seleção principal, Oscar Tabarez, em 2006. Ele integrou suas ações, sendo responsável também pelas seleções de base. Seu foco: A humanização, o cuidado com o indivíduo. A proposta para as seleções de base era manter os estudos com o mesmo grau de importância que os treinos físicos e técnicos. Futebol profissional é o futuro de apenas 1% das crianças que sonham e se dedicam a jogar futebol. Sempre foi assim. No Uruguai, quem chegar aos profissionais, será instruído, inteligente, com educação e senso de cidadania. E quem tiver que ficar pelo meio do caminho também. Futebol e educação lado a lado! Se você quiser saber mais detalhes que mudaram a história do futebol uruguaio, clique aqui

"O cara" da renovação do futebol urugaio está nessa foto acima. E é o da direita: Oscar Tabarez.
Já existem resultados sólidos:
- 4º lugar na Copa da Africa do Sul em 2010,
- Classificação para as Olimpíadas de Londres, após 84 anos de ausência no futebol
- Vice-campeão mundial Sub-17 no México (perdeu pra seleção da casa por 1x0 na Final. Nas Semi, bateu o Brasil por 3x0)
- Finalista da Copa América da Argentina, podendo alcançar seu 15º título e voltar a ser o maior vencedor do torneio.
- Viu o Peñarol, seu clube mais vencedor, de volta a uma final de Libertadores, resgatando seu respeito.
- Ídolos em destaque em alguns dos principais times da Europa e do Brasil (Sim, jogar no Brasil, com o crescimento econômico dos times brasileiros, há muito deixou de ser sinal de decadência.)
Não é só por chegar à final de uma Copa América (cujo nível técnico foi ruim) que tudo isso volta a ser reconhecido. A seleção do uruguai é mais que um conjunto forte. Tem valores individuais de respeito: Forlán (melhor jogador da última Copa do Mundo) que só está ainda no Atlético de Madrid porque não quis voltar para o Manchester United. Luis Suarez, atacante-nato do Liverpool, Lugano, capitão, zagueiro, ídolo no São Paulo e no Fenerbahce da Turquia. Muslera, goleiro da Lazio. Loco Abreu, ídolo botafoguense. Cavani, que levou o Napoli, da Itália, de volta à Champios League (desde Maradona e Careca isso não acontecia por lá).

Forlán, um dos ícones desse novo Uruguai.
Domingo o Uruguai decide a Copa América contra Paraguai ou Venezuela. Estou torcendo muito pelo título celeste, para ver premiada uma iniciativa séria, honesta e, repito, humanista. O Uruguai está dando ao futebol uma função social. Um trabalho campeão, qualquer que seja o resultado dessa final.
CURIOSIDADES:
O Futebol uruguaio volta a crescer perto de uma nova Copa do Mundo no Brasil. Superticiosos, atenção!!!
Luis Suárez parece um irmão mais novo do zagueiro brasileiro Lúcio.

O "caçula" de Lúcio é candidato a melhor jogador da Copa América.
Abraço!
o link no "clique aqui" tá errado.
ResponderExcluirAvante celeste! Dá gosto de ver um time aos 40 do segundo tempo, ganhando de 2x0 e ainda jogando com força e seriedade.
abraços,
Vi uma matéria no Sportv contando sobre esse novo momento do futebol uruguaio e seus atores (imagino que seja o link que você colocou e não funciona), a entrevista com Oscar Tabarez é muito boa.
ResponderExcluirOuvindo os uruguaios contando o que foi feito por lá lembrei imediatamente da proliferação de projetos aqui no Brasil. Todo dirigente e técnico tem um, jogadores criaram o hábito de afirmar que "Vim para o clube tal porque acredito no projeto dele".
A maioria não existe ou é muito ruim, quando funciona é interrompido por alguma oferta milionária do Mundo Árabe. Projeto só serve pra gastar tempo em programa esportivo.
Você falou em humanização e cuidado com o indivíduo, isso é perfeitamente representado quando a delegação recebe família, jornalistas e torcedores no saguão do hotel.
A Copa merece parar na mão dos Orientais.
Valeu, Wille, valeu Jotapê. Já corrigi o link, é sobre um texto de Lúcio de Castro que, curiosamente, apesar de eu acompanha-lo na Espn, só fui ler num site sobre a Seleção Uruguaia de futebol. Eu tinha visto um vídeo de uma entrevista pós jogo de Tabarez falando sobre o projeto, foi o que motivou, mas o link é mesmo do texto de Lúcio.
ResponderExcluirConcordo com você Jotapê. A palavra "projeto" não é respeitada aqui. Inclusive, as divisões de base, que deveriam formar talentos para as mais diversas posições, já se preocupam em vencer competições e esquecem de sua principal atribuição que é formar valores. Atribuo a falta de "meias criativos, camisa 10" no Brasil muito a isso. Não surpresa que nossos melhores "10" no brasileirão são argentinos (agora sem Conca) Montillo e D'Alessandro. Abraço e obrigado pela presença no blog!