segunda-feira, 18 de julho de 2011

Contra o Cruzeiro, a real.


Abre o olho...

CRUZEIRO 2x1 BAHIA
10ª rodada Brasileirão

O Cruzeiro que entrou em campo ontem não foi mesmo o Cruzeiro arrasador do passado. Mas Joel Santana foi o mesmo eficiente de sempre. Em casa, faz sua equipe pressionar no início até conseguir o gol (lógico que nem sempre consegue) e depois se fecha para contra-atacar. É esse o estilo dos times dele desde que aquela prancheta era do tamanho de um "post-it". O Bahia ainda conseguiu empatar na segunda oportunidade de Jobson, equilibrou mais o primeiro tempo e só deu uma chance com Ortigoza cabeceando livre lado direito da defesa do Bahia, em uma bola vinda da esquerda (estilo Júnior Viçosa/Madson). Lomba salvou.

O início do segundo tempo me pareceu interessante, pois o Bahia voltou disposto a virar o placar, ao tempo que o Cruzeiro, com Roger no lugar de Vítor, abria mais espaços no meio de campo e nos lados de sua defesa, indo para 3-5-2. Leandro Guerreiro recuou e ficaram Fabrício e Marquinhos Paraná para marcar no meio. Roger e Montillo iam dar mais criatividade ao time. Só que Roger, pra mim, é um jogador que não leva mais o mesmo perigo de antes (na verdade, de muuuuuuuito antes. Até 2005, quando foi bem pelo Corinthians). Ele hoje é preguiçoso e omisso, ou seja: Bom para o Bahia.

Só que com quase 7 minutos (xiii), o Bahia perdeu a bola e ela caiu no pé de Montillo (o arco) e Fahel, que desde o primeiro tempo estava na dúvida entre ser terceiro zagueiro ou marcar o argentino de perto, ficou no meio do caminho. Passe preciso para o limitadíssimo Ortigoza e gol de Walysson na sequência da jogada.


Montillo é melhor que Miojo. Prepara em 20 segundos.

A partir daí, dizer que o Bahia jogou bem é relativo. O Cruzeiro estilo Joel, recuou, como esperado, e o Bahia foi pra cima. Achei que o maior mérito do tricolor baiano a partir desse momento foi não deixar o Cruzeiro contra-atacar. Assim como fez contra o Corinthians, o Bahia não deu muitas oportunidades, abafou a saída de bola e esteve atento aos rebotes do seu ataque, sempre com jogadores se antecipando.

Por outro lado, o Bahia me pareceu inofensivo de novo. Mesmo com Jóbson e Carlos Alberto sendo mais incisivos, o Bahia não criou chances claras de gol. A impressão que eu tinha era que o jogo poderia ter mais 45 minutos, um terceiro tempo, que o Bahia não furaria a defesa bem meia-boca do Cruzeiro. Inclusive, depois que Dudu entrou no time mineiro, imagino que mais 45 minutos seriam suficientes para o Bahia levar gols e não fazê-los.

O que mais me incomoda é essa história de "jogamos bem, mas não deu". Um time vive de resultados, precisa de eficiência, porque é isso que soma pontos. O líder Corinthians não faz lá grandes partidas (tirando aquela contra o São Paulo, claro), mas ganha quase todas por 1x0 e se garante. O Atlético-PR fez algumas boas partidas só que não venceu, está lá na lanterna. Equilibrio, jogo bom, ruim, o Bahia vai ter. Até porque tem talentos, é inegável. Mas eficiência anda em falta.

Algumas observações:

A apatia de Júnior justamente na época que Souza volta a ter condições de jogo é de preocupar.

Aqueles sassaricos de Jóbson, apesar de bonitos, interessantes e trabalhosos para os zagueiros adversários me aparentam improdutivos. Às vezes falta paciência (pra mim).

Helder não comprometeu mas acho que Marcone fez falta e explico porque: Acho que Helder e Diones são marcadores mais "leves", que se posicionam mais pelos lados do campo. E Fahel é um volante que joga bem próximo aos zagueiros. Marcone só vai ter uma sombra mesmo agora com Fabinho, que é um cara que fica no meio e centralizado. Fora que eu imagino que se Marcone estivesse em campo, Montillo ia ser acompanhado ainda mais de perto do que o que conseguiu Fahel.

Contra o Cruzeiro, o Bahia caiu na real. Acabou a "gordurinhazinha" que conseguiu com duas vitórias seguidas fora de casa. A obrigação de vencer voltou a ser imperativa pela tabela, pra não entrar na zona. Isso é ruim, pois pesa nas pernas e no juízo dos jogadores, além de pesar no emprego de René também (reforçar que não quero que ele saia). Vencer em casa é obrigação há muito tempo. Próxima tentativa é o Coritiba (time enjoado pra gente não é de hoje).


CURIOSIDADE:
Aos envolvidos com a mística do número 7: O gol da vitória do Cruzeiro saiu aos 7 minutos do segundo tempo.



PS: A derrota do Bahia que mais doeu ontem, pra mim, foi de novo a da estreia. Perder do Cruzeiro por 2x1 é até aceitável. Mas a cada dia que vejo o América-MG jogar aquele futebolzinho medíocre do primeiro jogo e tomar sarrafo dos outros, eu sofro. Pontos irrecuperáveis.

Abraço

Um comentário:

  1. Cássio,

    Você mais uma vez deixando a paixão de lado e escrevendo com a razão.Muito bom o seu ponto de vista.
    Velho concordo com você em gênero e número. Se continuarmos assim, não vai ter outro caminho, que não seja o insucesso do nosso Baheêea na elite do futebol brasileiro. Acho que tá faltando mais garra ao time.Não sei você, mas estou reparando que todo final de jogo, é jogador do Bahia, saindo rindo, ou com cara de que não aconteceu nada. Nosso técnico tem que deixar de tanta psicologia, e mostrar mais braço firme.
    Abraços
    Igor Madureira

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