quinta-feira, 9 de junho de 2011
Trailer Oficial Bahêa Minha Vida - O Filme
Chora...
Que trailer arrepiante da zorra é esse? Primeira vez que vi foi em Pituaço, no dia de Bahia 3 x 3 Flamengo. Um amigo meu chorou do meu lado e aí todo mundo foi sacanear com ele pra disfarçar a própria vontade de fazer igual. A parte que Zé Carlos fala sobre ter jogado no Bahia é muito punk! O choro revela que tivemos torcedores de verdade dentro de campo, honrando o manto sagrado. Agora, o torcedor falando que pode passar a semana com fome, é muito f... é de tocar (lá ele) mesmo! E eu já vi que isso é real, não é discurso para as câmeras.
Lembro de duas situações que vivi que comprovam isso. Escrevi sobre elas, em 2009, para o www.bbmp.com.br e vou resgatar aqui:
Em um jogo pelo brasileiro de 1996, o Bahia perdeu para o Cruzeiro na Fonte Nova, 1×2. O segundo gol deles foi aos 41 do segundo tempo, Paulinho Mclaren, achei que nosso goleiro Jean falhou no lance. Estávamos bem na partida, quando sofremos o gol. Do meu lado, na arquibancada, um senhor lamentava muito a derrota. Como ele tava bem do meu lado, eu, com meu otimismo, disse para ele ter calma, pois podíamos empatar ainda. Ele olhou pra mim e disse, com uma naturalidade que me deixou abatido: “Tomara, pois eu só posso vir pra Fonte uma vez por mês, e mesmo assim desfalcando o leite lá de casa….”
Eu parei de falar, virei pro campo e esperei o final do jogo. Quando o procurei, ele já tinha saído. Aquilo nunca mais saiu da minha cabeça.
O outro exemplo, mais recente, foi em 2007. Acho que meu pai não vai se chatear quando ler isso, pois ele vai perceber que não estou fazendo um anúncio de ação solidária. Seguinte: Meu pai ajuda a um senhor, de uns 50, 60 anos, que tem muitas dificuldades financeiras. Ajuda com pouco, dá uns 70 reais ali, outros aqui, pois o senhor é desempregado, tem família para alimentar e vive numa situação difícil. Ele não me contou isso, eu que percebi quando virou meio que rotina, na volta do trabalho nós pararmos num posto perto de casa, onde sempre encontrávamos esse senhor, que saia de lá da casa do chapéu pra vir buscar a graninha. Eu notei que esse senhor sempre usava a mesma calça marrom e camisa branca quase maltrapilha. E notei que sempre ele estava com um radinho de pilhas nas mãos. Inevitável que, ao acompanhar meu pai nessas caronas pra casa, eu não notasse do que se tratava. Esse tal senhor é gente finíssima e o radinho que ele tanto gosta, é para acompanhar o Bahia. Sempre que parávamos, ele conversava um pouco e vinha com as novidades da tarde, quem treinou bem, etc.. Aí veio o punk da história, quando o Bahia foi jogar contra o Atlético-GO. Fonte Nova lotada, já desde o Dique do Tororó e eu e meu pai já com os ingresso nas mãos. Só que quando chegamos na Fonte e ele foi em direção à bilheteria. Perguntei do que se tratava. Ele disse que estava indo comprar o ingresso de “Bahia” ( o tal senhor). Comprou e “Bahia”, parado no meio da multidão, com seu radinho, no sol do estacionamento do Dique, quando viu eu e meu pai chegando no lugar marcado por eles, abriu um sorriso que quase me fez chorar. E quando pegou seu ingresso, apertou as mãos do meu pai como se tivesse recebido uma bênção. Nessa hora, ainda consternado, parei e pensei: “Meu Deus, só o Bahia… essas sensações, só o Bahia”. “Bahia”, depois de muito agradecer, sumiu no meio da multidão, feliz, pois ia ver sua paixão em campo. Como ia voltar para casa, eu não sei. Como ia botar comida em casa no outro dia, também não sei. Mas isso parecia ser o que menos importava para ele naquele momento…”
Pois bem. Esse trailer do Bahia me lembrou tudo isso. Pode até ter paixão parecida pelo Brasil, mas a torcida do Bahia, com certeza, é muito especial. O filme estreia em agosto. Estarei lá, claro. E quem quiser vender lenço nas sessões vai se dar bem. Abraço!
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