
Ok, estou tentei fazer um trocadilho no título mais medonho que a fase do gigante argentino. Mas acho que não consegui ser pior.
RIVER PLATE 1 x 1 BELGRANO
Promoción Campeonato Argentino - Clausura
Em 110 anos de história, o torcedor do River Plate jamais havia sentido tanta dor. Cair para a segunda divisão foi uma tragédia (anunciada, mas não deixa de ser tragédia). Agora é se apegar a exemplos em diversas partes do mundo. No Brasil, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio só deram um "oi" no limbo e voltaram, campeões, mais espertos, cientes do que pode lhes acontecer. As torcidas desses times amadureceram também e com certeza valorizam mais ainda suas glórias. Como torcedor do Bahia, garanto que o River ainda pode passar do chão. Me identifiquei quando li que Daniel Passarela não quer sair da presidência. Aconteceu algo parecido por aqui e fomos até a terceira.
Pelo mundo outros gigantes também fizeram visitas à classe média de suas respectivas ligas: Na Itália, Milan e Juventus mudaram de ares por motivos extracampo, mas mudaram. Na Inglaterra, Liverpool, Manchester United e Chelsea já jogaram em divisões inferiores. O Borussia Dortmund e o Schalke 04 (os times de maior torcida da Alemanha) também já caíram. Então, quanto a isso, é esperar passar a dor, a gozação dos torcedores rivais (principalmente do Boca), organizar a casa e se preparar bem pra subir. Existe vida após a queda e o fato da torcida do Bahia gostar de futebol até hoje é uma boa prova disso.
PERDENDO PARA O NERVOSISMO
O time do River é muito ruim. É como o título do post. Mas o Belgrano, meus amigos, também é um terror. O River Plate caiu por não segurar seus nervos. Para quem precisa vencer por 2 gols de diferença, fazer um gol com 5 min é melhor que a encomenda, né? Então! O River fez seu gol bem cedo e tinha todo o jogo pra buscar um golzinho só. Atacava de forma organizada enquanto o árbitro dava sua contribuição para a tensão aumentar, deixando de dar um pênalti claro a favor do River e de expulsar um puro-sangue do Belgrano que quase arrancou a perna do atacante dos Millionários. Tudo isso até por volta dos 35 minutos do primeiro tempo, quando a agonia começou a bater e o os jogadores se perderam. Daí até o final do jogo foi só desespero. E os outros dois lances cruciais do jogo são sintomáticos: o gol de empate do Belgrano saiu de uma trapalhada bizarra do zagueiro que chutou na agonia uma bola fácil. A bola explodiu no próprio companheiro e caiu nos pés do atacante do Belgrano. Depois, um pênalti (que existiu) aos 25 minutos para o River cobrar e voltar pro jogo, o centroavante Pavone (autor do primeiro gol) chuta desesperadamente, no meio do gol. O goleiro encaixa e aí todo mundo que vestia vermelho e branco na Argentina começou a fazer aquela cara de choro. Uma pena, pois deu pra notar que um pouco mais de cabeça no lugar poderia fazer o River escapar dessa. É dífícil ter calma na hora de um jogo desses, mas não podemos deixar de observar que o nervosismo decidiu o caminho das pedras do River.
E haja pedra, pedaço de madeira, barras de ferro. Os torcedores do River perderam a noção e protagonizaram cenas terríveis, destruindo o próprio estádio, agora ameaçado de não abrigar a final da Copa América. Irracionais, que querem amenizar a própria dor causando outras. Dor que com certeza vai durar até a próxima temporada acabar.(Assim esperamos). Abraço.

Erik Lamera. Jogador bom esse do River. Olho nele!
Curiosidades:
River caiu com a camisa patrocinada pela Petrobras. Praga de brasuca da zorra. Há quem diga...
O River Plate fez, nesse último Clausura, sua melhor campanha dos últimos 3 campeonatos. Ficou em 9º na classificação final. O problema é que no campeonato argentino é a média das temporadas anteriores que conta para definir o descenso. (Não sei explicar isso direito. Sei que o Brasileirão tentou fazer isso em 1999 e não deu certo).
Em 2008/2009, o River Plate ficou em último e essa colocação foi determinante para que o River caísse ontem, em 2011. Jogadores do passado fizeram o estrago e os desse ano pagaram o pato. Futebol é cheio de história mesmo né?
Só para encerrar, espero que o River volte logo. Pela sua tradição, torcida imensa e apaixonada, camisa linda e estádio fantástico, que recupere seus dias de glória. E que o Monumental de Nuñez não volte jamais a se tornar um River de lágrimas. (Desculpe, eu tinha que dar essa pedrada no final. Garanto que doeu menos que as que os policiais argentinos levaram ontem).
Abraço de novo!
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